Musical “Lamartine Babo” estreia em São Paulo
De 12 de Novembro de 2009 à 11 de Fevereiro de 2010
Inicia em saborosa atmosfera de antigos saraus o musical Lamartine Babo, que estreia hoje no Sesc Consolação, em São Paulo. Um elenco afinadíssimo começa por cantar – e tocar – canções reconhecidas até por quem não saberia creditá-las ao compositor carioca homenageado nesse espetáculo, como Grau Dez – “A vitória há de ser tua, tua, tua, moreninha prosa/Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa/Rainha da cabeça aos pés/Morena eu te dou grau 10” – ou então Aeiou, criada em parceria com Noel Rosa – “a e i o u, dabliú, dabliú, na cartilha da Juju”.
Lamartine Babo é a mais recente criação do Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, dirigido por Antunes Filho, que desta vez assina o texto desse musical que será apresentado às quintas, na sede do CPT. Emerson Danesi dirige a montagem, a direção musical é de Fernanda Maia e em cena estão atores e músicos, 11 ao todo. Na ficção criada por Antunes Filho, trata-se de um grupo musical que ensaia, num sobrado, um show com músicas de Lamartine. Tudo vai bem até que recebem uma estranha visita.
Dos figurinos ao modo de cantar – acentuando as letras t e r –, tudo remete aos anos 30 ou 40. O mote do “ensaio” propicia o tom de intimidade que envolve o espectador e ainda permite recriar, naquele pequeno universo, o clima de disputa entre a “diva” Dalia (Domingas Person), que chega atrasada, e as cantoras Rita (Flavia Strongolli) e Constância (Natalie Pascoal). Na banda, que tem Ricardo Venturini no papel de maestro e os atores-músicos Ivo Leme, Rodrigo Mercadante e Leonardo Santiago, chama atenção o figurino da percussionista Patricia Rita, que parece destoar dos demais, mas ao longo o público descobre a explicação para uma certa mistura de épocas.
Espetáculo de câmara, de início muito delicado, não se restringe ao show musical, ainda que tenha bons momentos nesse gênero, como no dueto entre Natalie e Adriano Bolshi na canção Jou Jou Balagandans ou na divertida interpretação da Marchinha do Grande Galo (“cocorococó, cocorococó, o galo tem saudade da galinha carijó”). Já “expulsos” de outras praças por seus ensaios, o grupo se assusta com a entrada do homem de terno preto, figura bizarra, de palavrório formal, uma ótima composição de Marcos de Andrade.
“O CPT não podia fazer um musical simplesmente, tinha de ser um drama musical”, afirma Antunes. Danesi conta que esse projeto fora iniciado antes ainda da criação de A Falecida Vapt Vupt – montagem do texto de Nelson Rodrigues que continua em cartaz sextas, sábados e domingos, no mesmo espaço. “Interrompemos para fazer A Falecida.” Ao retornar, Antunes tinha pronto o texto. Novidade em sua carreira? “Adaptei dezenas de peças para o teleteatro, fiz adaptações para o palco”, lembra Antunes. “Escrever é um ato solitário, gostoso. Os atores são perfeitos quando se está escrevendo”, brinca, bem-humorado. Há um mistério em torno da figura do homem de preto que não vale entregar e, por meio dele, entra em cena mais uma atriz afinada, Sady Medeiros, como Catarina. (Agência Estado)
Serviço - “Lamartine Babo”, no Sesc Consolação (Espaço CPT (70 lug.) - Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque), telefone: (11) 3234-3000. Toda quinta, 21h. Ingressos: de R$ 2,50 a R$ 10. Até fevereiro.
Fonte: Comércio do Jahu
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